Há quem diga que ele é o "Dan Brown português". Assim como o autor norte-americano de "O Código Da Vinci", Luis Miguel Rocha tem quebrado, com os seus livros, as imponentes muralhas do Vaticano e aberto uma passagem para o leitor adentrar nesse mundo fascinante e misterioso. Contudo, o escritor que nasceu no Porto, em 1976, dispensa comparações.
Dono de um estilo sofisticado e arrojado, em pouco tempo Luis Miguel se transformou em sucesso internacional. As suas obras, que incluem "A Mentira Sagrada" (2011), "A Virgem" (2009), "Bala Santa" (2007), "O Último Papa" (2006) e "Um País Encantado" (2005), foram publicadas em mais de 30 países. E fizeram de Luis Miguel o primeiro autor português a entrar para o top do New York Times.
Seu livro "O Último Papa", que expõe uma teoria sobre a misteriosa morte de João Paulo I, vendeu mais de meio milhão de cópias em todo o mundo.
Ficção real
No final de setembro, Luis Miguel esteve em Londres, onde falou aos jornalistas numa coletiva no restaurante "O Fado". "Nunca tive interesse pelo Vaticano. Sabia quem era o papa João Paulo II e só. Até que um senhor italiano que conheci em Londres há alguns anos atrás foi ao Porto em 2005. Nós começamos a conversar sobre os eventos que aconteceram a partir da posse de Albino Luciani até a morte de João Paulo I, naquele mesmo ano, a qual pelos indícios sugeriam que havia sido uma conspiração de assassinato. Achei o assunto interessante e resolvi colocar tudo no papel", conta.
Segundo Luís Miguel, seu interlocutor italiano se despediu dizendo que mandaria provas do que havia falado. "Mais tarde recebi uma encomenda sobre assuntos relacionados ao governo italiano. O que me chamou a atenção foram coisas que estavam ali escritas pelo próprio João Paulo I, às quais haviam sido retiradas do quarto dele na noite em que morreu. Foi aí que me dei conta de que senhor italiano estava dizendo a verdade." E assim surgiu o "O Último Papa".
A Mentira Sagrada
Já em seu mais recente livro, "A Mentira Sagrada", Luís Miguel continua a citar papas, desta vez Bento XVI. Mas o diferencial desta obra é que o autor questiona se a crucificação de Jesus Cristo realmente ocorreu e se tudo aconteceu como a Bíblia descreve.
Luís Miguel diz ter baseado parte de suas pesquisas em informações da Universidade de Jerusalém, que, segundo ele, vem fazendo uma investigação minuciosa sobre os acontecimentos bíblicos.
"A mensagem que quero passar com as minhas obras é puro entretenimento e não um discurso religioso. Sei que o que escrevo é ficção, mas há muita verdade nisso. No entanto, não sou inimigo da Igreja e até agora ela não se pronunciou contra mim. Pelo contrário, um jornalista italiano me disse que o Vaticano lê os meus livros e o silêncio significa mais respeito do que reprovação," completa o autor, que pela velocidade com que vem escrevendo seus livros, quase um por ano, certamente virá com mais uma de suas obras polêmicas em breve.